quarta-feira, 4 de junho de 2008

Gravação e edição dos spots



Encontrar alguém no Alto Zé do Pinho disposto a participar da gravação dos spots para a rádio Alto Falante não foi fácil. Os moradores se interessavam em saber como os spots eram feitos, mas tinham receio em colocar a própria voz na gravação. No dia combinado, estávamos lá. Mas não apareceu ninguém para gravar. Ligamos para os moradores, mas nenhum deles podia gravar. Procuramos Adilson, da rádio Alto Falante, e ele mais uma vez nos ajudou.

Adilson nos colocou em contato com Bruna, uma menina simpática que faz parte do grupo de teatro da comunidade. Fomos até a sua casa para conversar sobre os spots. Bruna e Adilson deram idéias do que eles achavam interessante para a rádio e os spots foram gravados por ela. Um outro morador tinha se comprometido a gravar mais alguns spots, mas não apareceu. A visita naquela tarde foi encerrada com a expectativa de saber qual seria o resultado da gravação daqueles spots. Depois um amigo nosso, Glaucio, gravou os spots que estavam faltando.

Por causa de alguns problemas, não conseguimos editar os spots na Católica. Mais uma pessoa se envolveu no nosso projeto e nos ajudou. Luiz, um amigo de Lucélia, passou cerca de 4 horas editando os spots e fazendo o possível para corrigir os problemas com o áudio. Ao final do trabalho, foram feitos sete spots com temas como crack, aids, dengue e lixo.

Segunda visita ao Alto Zé do Pinho


A segunda visita ao Alto José do Pinho foi realizada para fazer a pesquisa de campo dos temas dos spots. O nosso objetivo desde o começo era, junto aos moradores, escolher assuntos que interessariam àquela comunidade. Ouvimos moradores de diferentes idades, que prontamente tinham várias sugestões e reclamações a fazer. Alguns assuntos eram citados por todos, como o problema das drogas e do lixo. Estes, entre outros, foram selecionados por nós para a produção dos primeiros spots. Neste contato direto, nós convidamos alguns moradores para participar da produção e gravação, que seria feita na própria comunidade. A recusa foi alta, a grande maioria só aceitou assistir a gravação. Mesmo assim conseguimos alguns raros moradores que possivelmente (não deram certeza) gravariam os spots. A visita foi muito importante para a realização do trabalho. A aceitação das pessoas com relação aos spots foi muito boa. Depois disso, nós entendemos melhor os problemas e as necessidades do Alto José do Pinho, e assim pudemos escolher com mais certeza o que realmente seria importante para a comunidade em termos de informação.

Rádio Alto Falante

Segundo dados do Censo Demográfico de 2000 (do IBGE), a renda média mensal de população do Alto José do Pinho é uma das mais baixas da cidade, cerca R$ 328,73. Com uma população de mais de doze mil habitantes, o Alto Zé do Pinho precisava de um veículo que atendesse aos interesses da comunidade. Para que a idéia de ter uma rádio que atendesse aos interesses da comunidade se tornasse realidade, a rádio Alto Falante foi criada e recebeu o apoio da DED (Serviço Alemão de Cooperação Técnica e Social), com sede em Recife e da FASE, uma ONG do Rio de Janeiro que tem como um de seus objetivos “fortalecer as organizações populares que se articulam entre si, por melhores condições de vida, maior inserção política e por uma nova forma de cultura e cidadania". A rádio Alto Falante alia a diversão a uma atitude social e se tornou a voz da população do bairro. O sistema de transmissão da Alto Falante resume-se a caixas de som espalhadas pelos postes no Alto José do Pinho. Quem passa pelas ruas da comunidade escuta , além de músicas, campanhas de assuntos relevantes para a comunidade.